Curiosamente o papel levou muito tempo até chegar ao ocidente. Antes, foi largamente difundido entre os árabes que instalaram a primeira fábrica de papéis na Europa, na cidade de Játiva, na Espanha, em 1.150, após a invasão da Península Ibérica. Os papéis mais comuns são fabricados com polpa de fibras vegetais enquanto os mais nobres produzidos de algodão ou linho. A madeira é transformada em celulose por processo químico ou mecânico. Para transformá-la em papel esta pasta é misturada a água formando uma mistura líquida e homogênea. Em alguns tipos de papéis outros componentes são adicionados à pasta tais como cola, corantes e agentes conservantes. A qualidade das fibras utilizadas juntamente com estes componentes, determina a qualidade do papel. Essa mistura é passada por uma tela onde a maior parte da água é retirada e torna-se a folha úmida ainda. A secagem da folha se dá por processo a quente ou ao ar livre, como ocorre com alguns papéis artísticos. De um modo geral, pode-se dizer que, para origami, em princípio qualquer papel serve. No entanto recomenda-se para peças complicadas um papel fino e resistente. Para peças simples que não acumulem dobras sobre dobras pode-se usar papel 75g/m² e 160g/m² A experiência da pessoa que vai dobrar conta muito na seleção dos papéis apropriados. Para crianças, recomenda-se papel espelho (colorido de um lado e branco de outro) com 75g/m² Nesse caso é importante que o papel não tenha memória, ou seja, que após dobrado permaneça dobrado. Papéis coloridos na massa podem dificultar a visualização dos vincos. Algumas pessoas repintam o papel, banham com cola ou outro produto que ao secar não prejudique as dobras.
Dragão voador (Carlos Gênova)
No ano 105, T’sai Lao, administrador no palácio do imperador chinês, começou a misturar cascas de árvores, panos e redes de pesca para substituir a sofisticada seda que se utilizava para escrever. Ele, com certeza, não poderia imaginar a utilização que a humanidade faria desse invento chamado papel. O império chinês manteve segredo sobre as técnicas de fabricação do papel durante séculos, pois exportava esse material a preços altos. No século VII, por intermédio de monges coreanos, a técnica para fabricar papel chegou ao Japão como "um negócio da China", e um século mais tarde, os árabes obtiveram o segredo desse processo. Na Europa a técnica chegou por volta do século XII, e dois séculos mais tarde já se espalhava por todos os reinos cristãos. Nem sempre o papel teve boa qualidade. Exceto na China e no Japão, onde desde os primeiros momentos era possível a prática de dobrá-lo, no resto do mundo, principalmente na Europa, o papel era grosso e frágil, dificultando a prática de dobraduras. Só a partir do século XIV, conseguiu-se fabricar um papel mais fino e flexível na Europa. Mas o altíssimo custo para sua fabricação era também obstáculo para a popularização do origami. Supõe-se que essa arte teve sua origem na China a partir do manuseio do papel. Mas, ao que se sabe, sua prática não se tornou muito popular naquele país. No Japão, o origami (ori: dobrar / gami: papel) converteu-se numa prática comum assim que o custo do papel caiu, sendo até hoje considerada um patrimônio da cultura japonesa. No início, tinha caráter simbólico nos rituais das cerimônias xintoístas. Os noshis, oferendas que se faziam nos templos, eram envoltos em papel, cuja função era separar o puro do impuro. A evolução desses envoltórios com dobras cada vez mais complexas e atraentes foi tanta que o origami deixou de ser um meio para converter-se num fim. Assim, esses origamis foram sendo apresentados de maneiras diferentes, seguindo algumas regras básicas, respeitadas por todos que dobravam. Uma tradição que tem raiz no século XII.
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