O primeiro livro com instruções para dobrar, "O segredo para dobrar mil grous" apareceu em 1797 e descrevia a maneira de dobrar 49 grupos de grous unidos, às vezes com cola, outras pelas asas. O fato de só estarem indicados o formato do papel e a maneira de realizar os cortes demonstra a popularidade dessa figura. Em 1700, havia na Europa uma técnica utilizada pelos mágicos que consistia em formar múltiplas figuras dobrando-se um papel em leque e depois girando. O primeiro livro que fala sobre isso é Hocus Pocus, de autoria desconhecida e muito popular entre os mágicos da época. Na década de 1920, o grande Houdini, mais conhecido pela habilidade de escapar rapidamente de qualquer tipo de amarras, também demonstrava habilidade com papel. Assim como no Japão, na Europa o origami era praticado principalmente pelas crianças. Por isso o pedagogo Froebel percebeu rapidamente a possibilidade de educar a partir de brincadeiras com dobraduras em papel. Na prática habitual de seus "Jardins de Infância", estavam as figuras tradicionais da época e também uma série de dobraduras geométricas, chamadas depois de "froebelianas". Quando os portos japoneses se abriram para os países ocidentais, propiciaram uma revolução na arte de dobrar papéis. As bases do pássaro e da rã chegaram à Europa, onde não eram conhecidas. A base do pássaro chegou não na figura do grou, mas sim na forma de um pássaro que batia asas, estranhamente desconhecida no Japão. Os geômetras, por sua vez, não ficaram insensíveis e viram no origami muitas possibilidades pedagógicas. Um livro do hindu Sundara Row, Geometric Exercises in Paperfolding, publicado em 1893, é um amplo tratado de geometria com origami, ainda que outros o tenham precedido. Esse livro foi reeditado pela Dover (EUA), e é um excelente material de apoio didático para professores de matemática.
Já no século XX, a tradição de considerar o origami somente como uma brincadeira de criança começou a evoluir pelas mãos de Isao Honda, no Japão, e Miguel de Unamuno, na Espanha. Ambos os autores realizaram uma cruzada quase simultânea para conseguir a consideração das classes mais cultas em relação ao origami. O desenvolvimento da arte de dobrar papel tal qual a conhecemos hoje somente aconteceu nos últimos 50 anos. Da década de 1950 vem a idéia de consenso de Akira Yoshisawa para a representação gráfica das dobras, diferenciando, por exemplo, as dobras vale e montanha. As dobras que servem como matrizes para a produção de figuras são chamadas de bases. A sistematização das dobras e bases permitiu ampliar a criatividade dos autores, que criam não apenas peças, mas também novas bases. Na efervescência dos anos de 1950 e 1960, foram os norte-americanos os primeiros a impulsionar a explosão "origâmica", especialmente Lilian Oppenheimer, fundadora do The Origami Center New York, em 1958. Como não dediquei meu tempo para pesquisar uma história do origami na América do Sul, pouco posso dizer além de citar que os primeiros imigrantes trouxeram consigo suas tradições entre elas o origami. Da década de 50 tenho registro de pelo menos duas publicações (livros de origami) dirigidas à escola primária tanto no Brasil como na Argentina. E assim, muita coisa que parece nova na verdade é mais antiga do que supomos. O que sei com certeza é que, hoje, o origami como tantas outras atividades está num estágio avançado tecnicamente, plasticamente (novos materiais). Talvez a área menos conhecida da arte de dobrar papéis seja sua geometria particular. Ainda hoje, encontro professores(as) descendentes de japoneses que deixam de ensinar pelo simples fato de desconhecerem essa possibilidade, ou seja, com uma simples folha de papel, sem a utilização de qualquer outro instrumento além das mãos e cérebro, podemos estudar aprender melhor a geometria plana e tridimensional.
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